Publicado por: maresta | Dezembro 29, 2007

o principezinho

é um dos livros que mais gosto de ler, e que me tem de certa forma acompanhado ao longo de quase 20 anos. ofereceram-no à minha irmã (que, bem me recordo, protestou e amuou por ter, com pouco mais de 8 anos, recebido um livro infantil…) mas quem o leu fui eu. creio até que fui eu a única pessoa que o li, lá em casa.

e li-o mais que uma vez: li-o com 12 anos, li-o anos mais tarde, li-o aos 20, aos 20 e muitos, e li-o há dias numa livraria, quando andava à procura de livros para oferecer no natal. não o comprei, porque gosto desta espécie de romance que tenho com ele: gosto de o encontrar, seja na prateleira de uma livraria, biblioteca ou até de um hipermercado, de o abrir e ler aquilo que, naquele momento, ele tem para me ensinar.

é uma história que tem crescido comigo: uma vez li as aventuras de um rapaz que gosta de uma flor, outra li a história de alguém que se faz amar e que depois não assume a responsabilidade desse afecto, outra vez descobri que “as coisas têm que ser vistas com os olhos do coração”. da última vez, deve estar agora a fazer duas semanas, li a história de alguém que não entende como se podem cumprir ordens sem lógica, e alguém que não é capaz de, no dia-a-dia, tirar prazer e descobrir coisas novas naquilo que faz (falo do acendedor de candeeiros, que passa a vida a acender e a apagar um candeeiro, minuto sim minuto sim, porque o seu planeta roda cada vez mais depressa. o principezinho viu, naquele planeta, a oportunidade de ver 24 pôr-do-sol…)

também sorri ao ver como o outro habitante de um outro planeta se entretinha a contar as estrelas e a guardar o número (delas) num papel, numa gaveta, mas desta vez foi a história do acendedor de candeeiros que me fez pensar. essa e as palavras do principezinho, quando fala nos seus vulcões: têm três, creio, que limpa com regularidade. mesmo o que está extinto, porque “nunca se sabe quando poderá entrar em erupção”.

durante este ano, grande parte dele, tenho sido um acendedor de candeeiros que negligencia o vulcão que está extinto. tanto o negligenciei, acendendo e apagando apenas o candeeiro, que algumas vezes “eruptei” (palavra nova). saiu fumo, vapor, quase lava. explodi imensas vezes, este ano. como me disseram, andei a “soltar vapor pelos corredores”. talvez por, durante 32 anos, me ter ocupado em demasia em manter limpinhos os vulcões dos outros, e não ter prestado atenção ao meu…

claro que, com isso, descobri (e bem) aquilo que me faz explodir. não sei se pelo stress que foi este ano (o triângulo da minha vida – profissional, pessoal e familiar – foi tudo menos equilátero), se por ter decidido, finalmente, que esta era a hora de acordar… houve quem estranhasse, houve quem aprendesse. e agora há quem me respeite, o que sabe sempre bem.

neste final de ano – e embora não seja dada a balanços nem a resoluções de ano novo – se colocar tudo em cima da mesa (o que de bom e menos bom aconteceu), o painel é francamente positivo. estranho, tipo pintura abstracta, mas positivo. é uma questão de olhar para ele, para a “caixa com três buracos”, e conseguir ver lá dentro a ovelha que se pediu.

quem já leu “o principezinho” sabe do que estou a falar…


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