Publicado por: maresta | Novembro 18, 2007

paralelos e outras coisas

existem inúmeros paralelos e alguns factos curiosos quando pensamos no SL e na vida real. depois de ter lido o post de Paulo Frias no “Discursos do Outro Mundo” – blog para mim quase obrigatório nesta coisa de ver com olhos críticos este maravilhoso mundo novo – e depois de ter participado em alguns encontros, encontrei algumas “marcas” que evidenciam a transposição da sala de aula dita normal para a realidade virtual.

se não, vejamos: na sala de aula, quando um aluno chega atrasado, pede desculpa, interrompe a aula, manda umas bocas e senta-se. no SL, quem chega atrasado pede desculpa, pergunta como estão as coisas, interrompe o discurso, ocupa linhas no histórico da conversa e depois… senta-se.

na sala de aula há alunos que trocam bilhetes (será que ainda trocam?), têm conversas paralelas, riem de assuntos privados. no SL trocam-se IM’s, enviam-se objectos, trocam-se roupas… mas o avatar está sentado, direito, atento. a única forma de o “professor” ter a certeza de que quem o ouve está atento é colocar questões, dialogar, pedir a opinião. às vezes consegue…

na sala de aula, há alunos que intervêm para não acrescentar nada à conversa. muitos acenam afirmativamente, o que provoca uma “onda” de cabeças curiosa… no SL, dizem “s”, criam linhas infindáveis de texto e… nada. a sessão / aula / programa, mantém-se numa espécie de “eu ensino – tu aprendes” que, se já na RL me dá cócegas, no SL me incomoda verdadeiramente.

como refere Paulo Frias, porquê ter “portáteis pousados em tampos de secretárias” se “não existe gravidade que os faça cair ao chão!”? entendo a necessidade de se criar um paralelo entre este ambiente e o nosso: os avatars são humanóides (na sua maioria), temos chão, árvores, céu, água… edifícios… salas de aula, cadeiras, quadro branco, mesa do professor… tudo isto, de certeza, contribuiu para uma maior identificação do utilizador, para uma maior aceitação.

até entendo, e aceito (a mieke entra em pânico em ambientes fechados… não fosse o logout, seria trágico). mas que as aulas/ sessões/ programas decorram nos mesmos moldes expositivos, com o mesmo modelo de interação, com “professores” e “alunos”, com acenos virtuais e afins, causa-me confusão.

é por isso – e porque há feridas que não saram :P – que sigo com atençãoe curiosidade o que se passa nesta edição do Mestrado em Multimédia em Educação (nomeadamente no grupo “3D“). porque eles têm ideias, têm vontade, estão motivados. mesmo que ainda existam alguns paralelos =)


Respostas

  1. Penso exactamente isso sobre o SL, lol, até porque quem me conhece sabe que sempre tive uma posição muito céptica relativamente ao boom que nasceu em volta do SL.

    Aquilo, para mim, ainda não revolucionou verdadeiramente nada em termos pedagógicos, só em termos tecnológicos.

    Mas de certeza que também não vai demorar muito até alguém me prove que estou errada… e é mesmo isso que eu quero :D

  2. Pois, dou total razão à Célia… O S.L. deve ser um ambiente interessante, mas só não é mais do mesmo se o professor (e os alunos) quiserem…

    “na sala de aula há alunos que trocam bilhetes (será que ainda trocam?” Sim, trocam, mesmo os de 7 e 8 anos ;-)

    “portáteis pousados em tampos de secretárias” se “não existe gravidade que os faça cair ao chão!”? Ai como isto é verdade, infelizmente para os alunos e para mim, para o meu estudo em particular…


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