Publicado por: maresta | Outubro 20, 2009

já não sei que música ouvir

tenho o péssimo hábito de, para cada fase da vida/trabalho, seleccionar uma playlist que ouço até à exaustão.

no mestrado foram os The Gift e o “Fácil de entender” (Song for a blue heart, principalmente), Rodrigo Leão e “O Mundo”, Bach e outros.

na fase final dos trabalhos, coincidente com a fase final do projecto de doutoramento, foi Anne Brun. e David Ford, dia após dia. a parte curricular do doutoramento foi corrida a Sigur Rós, a Anthony and the Johnsons, a Metric, Camera Obscura, a Kings of Convenience, a Fleet Foxes e a Ketch Harbour Wolves. pelo meio, um pequeno delírio com 30 seconds to Mars, que ninguém consegue ser tão indie assim :P

agora, não sei o que ouvir. os grupos que referi antes lançaram novos discos, têm álbuns mais antigos, mas a sonoridade já não me surpreende. agrada, mas já não é conquista. é conforto.

sabe bem. mas não arrepia.

Publicado por: maresta | Setembro 27, 2009

ui!

(não, não me trilhei…)

durante esta semana, enquanto preenchia processos de alunos (oh!, what a joy!), tive muito tempo e matéria para reflectir sobre a coisa da presença online. sem bibliografia nem  leituras – daí dizer reflectir, e não aprender.

primeiro: tudo aquilo que eu associo ao meu nome cola-se à minha imagem. usar contas de e-mail com termos peculiares como “sexygirl127@qqcoisa“, “viagra_man@aspasaspas” ou “pequeninaefofa32” não é… bem. e ouvir, como resposta ao meu olhar mudo, a frase “ainda era miúdo”, não me convence. se deixaram as saias às pregas (algumas :P) e o ar rebelde sem causa, porque mantêm, como parte a sua identidade, um nome com o qual não se identificam? e quando se candidatarem a emprego, o que colocam no campo do e-mail? “xanocasLol”?

segundo: os cv’s. colocar no CV formato europeu (e aqui vemos porque é que a Europa é chamada de velho continente… aquele formato pode ser optimizado, mas cheira a revolução industrial) uma foto em que aparecemos super concentrados (versão1) ou saídos de uma festa (versão 2) também não soa muito bem. ou somos marrões ou somos anduleiros (expressão branquense para designar “pessoa que só anda em festas e noitadas”). mmmmm….

terceiro: o perfil do Facebook. há pessoas que ainda não perceberam que tudo (ou quase tudo) o que está na rede é pesquisável. que publicar as fotos da última festa, agarrada a um barril de cerveja e com um sombrinha de gelado na cabeça não fica bem. imaginem que a minha futura sogra decide pesquisar a minha vida na rede antes de entregar o anel de família ao meu husband-to-be: encontrar coisas como “xeguei da festa à pc. foi tótil, s palavras. migux, adoro-vuuuuuuux” daria um novo sentido ao ditado “bem estava Adão, que não tinha sogra nem camião”.

quarto (parte 1): gostei de ler este texto, de Robert Dwyer, que me chegou ao twitter via @pgsimoes. não o li com a profundidade merecida (tinha o “viagra_man” à minha frente) mas o pouco que li deixou-me mais aliviada: começa a discutir-se a ética ou as regras do twitter. neste ponto, o que mais (me) interessa não é tanto o que significa RT (já passei essa fase, graças à resposta a uma DM que enviei :P) mas poder ambicionar que, num futuro muito próximo, se discuta e reflicta sobre a comunicação em 140 caracteres.

quarto (parte 2): na semana passada recebi um tweet que questionava se fazer RT a uma mensagem significava concordância. respondi que, se não acrescentava nada antes do RT, sim. antes, não depois. por vezes aparecem RT’s de tweets publicados que, no lugar de incluírem a opinião antes da mensagem original (seja ela positiva ou negativa) colocam-na após o tweet de origem. uma espécie de passagem de “detestei o filme xpto” para “RT@maresta: detestei o filme xpto… senti o mesmo durante o último jogo do benfica LOL“. se o original é algo que só a mim diz respeito, o “pendura” trazer-me-ia, sem dúvida, problemas familiares até à terceira geração. tá mal.

quinto: já tenho blog no SAPO Campus :). com “maresta” no endereço, claro. de uma forma ou de outra, esta contracção do meu nome próprio e de família resultou numa coisa que, embora ao princípio rejeitasse, é já parte da minha identidade. ao ponto de não me registar em serviços que não aceitem este nome.

e para já é tudo. tarde de eleições e tal, a programação da TV é a de sempre (disney, disney, especiais notícias porque o candidato X votou, disney, disney)…

back to sapo campus, pr’a tentar personalizar um blog que, de mim, para já so tem o nome ;)

Publicado por: maresta | Agosto 21, 2009

porque sim

por vezes, nos minutos que antecedem o sono, percorro lugares que não visito há muito. sei de cor alguns lugares, as divisões de algumas casas. da casa do meu padrinho – onde passei muito tempo há muito tempo – conheço a entrada, com o banco vermelho ao lado da janela, e a porta grande e branca. o corredor, com o escritório numa ponta e a sala de jantar na outra.

avanço, abro a porta da casa de banho debaixo das escadas (com um espelho pequeno, redondo e alto, ao qual só acedia quando me esticava até doer), depois regresso. sei a cozinha e as escadas que dão acesso ao primeiro andar. e as que dão acesso ao sótão. sei os quartos (seis), os corredores, sei onde o papel de parede lasca e onde estão pendurados os quadros trazidos das viagens mundo fora. sei todos os espaços. tivesse eu os cheiros, e a memória seria completa.

são poucos os lugares que recordo assim, tão bem e tão claramente. uns porque foram mudando, outros porque ainda existem e não há necessidade de os guardar. com esta casa é diferente, sempre foi diferente. talvez porque quem lá habitava era diferente e enchia cada minuto, na sua presença, com relatos de outros lugares e experiências. um homem que atravessava a ria (bestida-torreira) a nado, que já falava e fazia ioga antes do ioga ser moda, que respeitava todos porque era com respeito que todos deveriam ser tratados.

é das pessoa que mais saudades me deixa. gostava que, um dia, alguém pensasse assim a meu respeito.

Publicado por: maresta | Julho 15, 2009

sobre sorrisos

há uns tempos atrás escrevi um post – que depois editei, simplesmente porque gosto de editar aquilo que escrevo – onde falava da importância do sorriso no dia a dia. lembro-me que o comparava a exercício, a algo que fazia bem, essas coisas pseudo-inspiradas e pseudo-inspiradoras.

continuo a defender isso – normalmente defendo o que escrevo :P – mas hoje acrescentaria algo mais. o sorriso é algo que nasce de dentro. é um canto sem voz, que começa não se sabe bem onde e que só termina nos olhos. no meu caso, quase sempre em lágrimas.

 .

hoje não me reconheceram na fotografia que tenho no messenger. um colega meteu conversa, perguntando: “quem é a moça da foto?”, e quando respondi “eu”, disse que não me reconhecia. porque não estava a sorrir.

senti, como já não sentia há algum tempo, que o sorriso não é só meu: é também parte daqueles que convivem comigo, que a mim se habituaram e que comigo contam. e isso, por si só, é já um motivo para sorrir :)

Publicado por: maresta | Julho 8, 2009

sobre a diferença entre cães e gatos

neste momento, para além da passarada que anda a comer a fruta do pomar, tenho lá em casa uma cadela e doze gatos - mais concretamente, duas (as mães-) e quatro gatas e seis gatos. são muitos, e é por isso que nestas alturas dou graças por ainda conseguir contar até dez. mas adiante…

os anos que tenho lidado com elas (Petra, a cadela, e Reca I e II, as gatas) ensinaram-me que há diferenças intransponíveis entre cães e gatos. os cães gostam de atenção. fazem festa e querem festas. que ficam tristes quando os descuramos. e depois há os gatos. personalidade forte, vontade mais forte ainda. querem festas quando querem, não quando as queremos dar.

a Petra, rafeira grande e tosca, quer ser amiga das recas. não entendeu, ainda, que há coisas que não acontecem só porque se quer. que a vontade dela, mesmo sendo forte (doze quilos de personalidade)  não é suficiente. a culpa não é dela, nem delas. é, simplesmente, assim.

nos últimos tempos tenho percebido que há muita coisa que não acontece só porque nós queremos ou só porque nos esforçamos. há coisas que simplesmente não acontecem, outras falham, outras deixar de acontecer. e outras ficam para mais tarde.

não é culpa nossa. nem das coisas. é, simplesmente, assim… :)

Publicado por: maresta | Junho 27, 2009

sobre a insegurança

o facto de ter crescido com dois irmãos mais novos mas mais fortes teve profundas consequências na forma como, hoje, me comporto no dia-a-dia. cheguei a essa conclusão há pouco quando, antes de publicar um comentário a um post, andei à procura de alguém (é sábado, está tudo offline) que validasse e autorizasse a minha mensagem.

não por insegurança relativamente ao conteúdo (era uma opinião, por isso tão válida quanto qualquer outra) ou à forma (tive o cuidado de utilizar maiúsculas), mas por receio de estar a mexer em algo que não era meu. por receio de estar a entrar em território alheio, por receio de querer “brincar” com os mais fortes. e de vir a apanhar por causa disso :P

.

adoro os meus irmãos. na dedicatória da minha dissertação de mestrado, agradeço-lhes dizendo “obrigado por me terem ensinado a crescer”. e ensinaram. à força de porrada, mas ensinaram :)

deve ser por isso que, hoje, ouço mais do que falo. leio mais do que escrevo. assisto mais do que participo. devo ter criado algum mecanismo de defesa contra potenciais reacções adversas, ou coisa que o valha.

é, sou uma pessoa marcada por uma infância traumática. agora só me falta entrar num concurso estranho e depois já posso escrever um livro :)

manos

Publicado por: maresta | Junho 21, 2009

(r)evolução

depois de dias e dias imersas em leituras sobre PLE, SNA, Web 2.0, redes, nós, conectividade, encontrei isto:

“This characteristics of being self-organised and self-directed reflects especially in terms of choosing the preferred way of communication and in terms of participating in a dispersed learning environment moulded by individuals and group learning gols. Such ‘nomadic’ learners not only acquire skills and knowledge vastly outsidethe formally offered technical infraestructure. They also process information, participate in learning projects, or communicate with peers not linked by any formal ties” (Wild et al, 2008)

num daqueles flashes que dão (quase sempre) origem a frases bombásticas – e ideais para iniciar qualquer capítulo de qualquer projecto de tese – recordei as noções de história que ainda persistem num canto escondido (para ficar poético deveria dizer ‘recôndito’, mas não me apetece) da memória e que, finalmente, provam a sua utilidade:

» a sociedade passou de nómada a sedentária. a aprendizagem evoluiu em sentido contrário.

quando os povos vagueavam pelos continentes em busca de um local para pendurar as sandálias, observavam, trocavam informação, deixavam registos, alteravam a língua, transformavam os modos. em suma, aprendiam. num processo contínuo, em rede, em troca e colaboração com o outro.

o tempo passou, os ET’s trouxeram as pirâmides e o “povo” sentou-se. sedentarizou-se. civilizou-se. a cultura continuou a evoluir (tirando o rewind da idade média), a especializar-se, a tornar-se naquilo que passou a definir um povo como tal. as trocas de dados especializaram-se em trocas comerciais, a linguagem ganhou detalhe, a própria maneira de ser de cada “tribo” ganhou contornos e características muito próprias.

a aprendizagem, essa, passou a ensino: primeiro só ao alcance de alguns homens (naquele tempo não havia crise de vocações :P), depois de alguns homens e mulheres, Gutenberg inventou a imprensa e surgiram os livros. e as bibliotecas. e as universidades. e o sistema de ensino (grande salto, este) tornou-se acessível a todos os que nele quisessem aprender.

desde que passassem nas provas. desde que tirassem boas notas. e desde que pagassem as propinas =).

e assim o ensino também se sedentarizou. ficou instalado entre portas, fechado, cada vez mais especializado. não percebeu que o mundo lá fora continuava a existir, que a aprendizagem voltava a ser processo e evoluía, criava ligações e trocava dados. que os indivíduos voltavam a aprender em comunidade, pela troca e pela partilha, que se voltavam a definir como e na rede.

resultado? hoje não temos uma aprendizagem, temos duas. uma é formal, certificada, selada, com direito a prémio. a outra é informal: viva, dinâmica, assente numa validação de sorriso ou palmada nas costas. mas, sobretudo, na satisfação de quem aprende.

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não entendo a separação entre estes dois conceitos de aprendizagem. aprender é aprender. ponto. seja formal ou informalmente, aprender é interiorizar momentos mais concretos ou abstractos numa espécie de repertório dinâmico que nos permite e leva a viver.

a escola continua, na sua maior parte, a ignorar que a sua população se tornou nómada porque a vê sentada na sua sala de aula. eles estão lá, sim, mas estão ligados. estão a aprender em rede, a trocar mensagens, a consultar informação, a brincar, a namorar. limitar a aprendizagem aos muros da escola é balizar o conhecimento, é dividir a aprendizagem no formal e no não formal, criando o espaço para a pergunta “e para que é que isto me serve?”.

não quero dizer que o conhecimento que se transmite (ou troca) na escola é sobrevalorizado (o meu custa-me cerca de 2000 e tal euros por ano :S). penso apenas que continuar a ignorar o que se passa “lá fora”, na esperança que desapareça, é como ficar sentado à espera que a tempestade de areia passe: há sempre um ou outro camelo que se perde :)

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(e aqui poderia estar um excelente tema pr’ó edubits 09 :P )

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disclaimer: não me recordo de quase nada da história do 9º ano. detestei aquilo. fixei porque fui obrigada. tirei boa nota, mas foi por hábito. não por interesse =)

Publicado por: maresta | Junho 16, 2009

o complexo de calimero

há pessoas que sentem, e acreditam, que têm o mundo contra elas. acreditam, e sentem, que nada do que fazem é compreendido e que, por muito que se esforcem, nunca serão entendidas, aceites e admiradas.

costumo dizer que essas pessoas sofrem do complexo de calimero =). muitas vezes confundido com o “patinho feio”, o calimero é daquelas figuras incontornáveis para todos os que tiveram a felicidade de nascer na década de 70.

ele era pequeno. ele era pequenino. ele tinha a mania que todo o mundo conspirava contra ele. no final de cada episódio, a célebre frase “é uma injustiça, eles são grandes e eu sou pequeno” (creio que em estrangeiro e com legendas, que na altura as crianças tinham masé que aprender a ler).

às vezes encontro, fora da caixa mágica, pessoas que são assim. pequenas. pequeninas. com a mania que todo o mundo conspira contra elas. e que tudo é uma injustiça.

aos calimeros deste mundo, que trazem aos dias de hoje o encanto dos anos 70, a minha singela e humilde homenagem =)

 

Publicado por: maresta | Junho 9, 2009

… o caminho valeu, vale e valerá sempre a pena :)

Publicado por: maresta | Junho 7, 2009

obrigações

que a vida em sociedade se rege por um conjunto de regras e protocolos pré-definidos, muitas vezes quase sedimentados por anos e anos de prática, não é novidade. os almoços em família, a consoada alternada em casa de pais/sogros (nunca na nossa), a ida às urnas no dia das eleições, o torcermos pela selecção (de quem?) quando esta joga, o ficarmos zangados quando o nosso clube perde (mesmo que não liguemos nada ao futebol), são quase rituais que fazem parte da nossa vida, que definem a nossa comunidade, e aos quais já nos habituámos, resignámos ou submetemos.

agora… ser convidada para (mais) um casamento de pessoas que praticamente não conheço, com as quais não convivo e às quais desejo a mesma felicidade que desejo a toda a gente em geral, e ainda para mais ter que ir, é algo que não me entra na cabeça.

é nestas alturas que sinto que a família é um pouco como a Máfia: quando se entra, nunca mais se sai…

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