Publicado por: maresta | Julho 8, 2009

sobre a diferença entre cães e gatos

neste momento, para além da passarada que anda a comer a fruta do pomar, tenho lá em casa uma cadela e doze gatos - mais concretamente, duas (as mães-) e quatro gatas e seis gatos. são muitos, e é por isso que nestas alturas dou graças por ainda conseguir contar até dez. mas adiante…

os anos que tenho lidado com elas (Petra, a cadela, e Reca I e II, as gatas) ensinaram-me que há diferenças intransponíveis entre cães e gatos. os cães gostam de atenção. fazem festa e querem festas. que ficam tristes quando os descuramos. e depois há os gatos. personalidade forte, vontade mais forte ainda. querem festas quando querem, não quando as queremos dar.

a Petra, rafeira grande e tosca, quer ser amiga das recas. não entendeu, ainda, que há coisas que não acontecem só porque se quer. que a vontade dela, mesmo sendo forte (doze quilos de personalidade)  não é suficiente. a culpa não é dela, nem delas. é, simplesmente, assim.

nos últimos tempos tenho percebido que há muita coisa que não acontece só porque nós queremos ou só porque nos esforçamos. há coisas que simplesmente não acontecem, outras falham, outras deixar de acontecer. e outras ficam para mais tarde.

não é culpa nossa. nem das coisas. é, simplesmente, assim… :)

Publicado por: maresta | Junho 27, 2009

sobre a insegurança

o facto de ter crescido com dois irmãos mais novos mas mais fortes teve profundas consequências na forma como, hoje, me comporto no dia-a-dia. cheguei a essa conclusão há pouco quando, antes de publicar um comentário a um post, andei à procura de alguém (é sábado, está tudo offline) que validasse e autorizasse a minha mensagem.

não por insegurança relativamente ao conteúdo (era uma opinião, por isso tão válida quanto qualquer outra) ou à forma (tive o cuidado de utilizar maiúsculas), mas por receio de estar a mexer em algo que não era meu. por receio de estar a entrar em território alheio, por receio de querer “brincar” com os mais fortes. e de vir a apanhar por causa disso :P

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adoro os meus irmãos. na dedicatória da minha dissertação de mestrado, agradeço-lhes dizendo “obrigado por me terem ensinado a crescer”. e ensinaram. à força de porrada, mas ensinaram :)

deve ser por isso que, hoje, ouço mais do que falo. leio mais do que escrevo. assisto mais do que participo. devo ter criado algum mecanismo de defesa contra potenciais reacções adversas, ou coisa que o valha.

é, sou uma pessoa marcada por uma infância traumática. agora só me falta entrar num concurso estranho e depois já posso escrever um livro :)

manos

Publicado por: maresta | Junho 21, 2009

(r)evolução

depois de dias e dias imersas em leituras sobre PLE, SNA, Web 2.0, redes, nós, conectividade, encontrei isto:

“This characteristics of being self-organised and self-directed reflects especially in terms of choosing the preferred way of communication and in terms of participating in a dispersed learning environment moulded by individuals and group learning gols. Such ‘nomadic’ learners not only acquire skills and knowledge vastly outsidethe formally offered technical infraestructure. They also process information, participate in learning projects, or communicate with peers not linked by any formal ties” (Wild et al, 2008)

num daqueles flashes que dão (quase sempre) origem a frases bombásticas – e ideais para iniciar qualquer capítulo de qualquer projecto de tese – recordei as noções de história que ainda persistem num canto escondido (para ficar poético deveria dizer ‘recôndito’, mas não me apetece) da memória e que, finalmente, provam a sua utilidade:

» a sociedade passou de nómada a sedentária. a aprendizagem evoluiu em sentido contrário.

quando os povos vagueavam pelos continentes em busca de um local para pendurar as sandálias, observavam, trocavam informação, deixavam registos, alteravam a língua, transformavam os modos. em suma, aprendiam. num processo contínuo, em rede, em troca e colaboração com o outro.

o tempo passou, os ET’s trouxeram as pirâmides e o “povo” sentou-se. sedentarizou-se. civilizou-se. a cultura continuou a evoluir (tirando o rewind da idade média), a especializar-se, a tornar-se naquilo que passou a definir um povo como tal. as trocas de dados especializaram-se em trocas comerciais, a linguagem ganhou detalhe, a própria maneira de ser de cada “tribo” ganhou contornos e características muito próprias.

a aprendizagem, essa, passou a ensino: primeiro só ao alcance de alguns homens (naquele tempo não havia crise de vocações :P), depois de alguns homens e mulheres, Gutenberg inventou a imprensa e surgiram os livros. e as bibliotecas. e as universidades. e o sistema de ensino (grande salto, este) tornou-se acessível a todos os que nele quisessem aprender.

desde que passassem nas provas. desde que tirassem boas notas. e desde que pagassem as propinas =).

e assim o ensino também se sedentarizou. ficou instalado entre portas, fechado, cada vez mais especializado. não percebeu que o mundo lá fora continuava a existir, que a aprendizagem voltava a ser processo e evoluía, criava ligações e trocava dados. que os indivíduos voltavam a aprender em comunidade, pela troca e pela partilha, que se voltavam a definir como e na rede.

resultado? hoje não temos uma aprendizagem, temos duas. uma é formal, certificada, selada, com direito a prémio. a outra é informal: viva, dinâmica, assente numa validação de sorriso ou palmada nas costas. mas, sobretudo, na satisfação de quem aprende.

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não entendo a separação entre estes dois conceitos de aprendizagem. aprender é aprender. ponto. seja formal ou informalmente, aprender é interiorizar momentos mais concretos ou abstractos numa espécie de repertório dinâmico que nos permite e leva a viver.

a escola continua, na sua maior parte, a ignorar que a sua população se tornou nómada porque a vê sentada na sua sala de aula. eles estão lá, sim, mas estão ligados. estão a aprender em rede, a trocar mensagens, a consultar informação, a brincar, a namorar. limitar a aprendizagem aos muros da escola é balizar o conhecimento, é dividir a aprendizagem no formal e no não formal, criando o espaço para a pergunta “e para que é que isto me serve?”.

não quero dizer que o conhecimento que se transmite (ou troca) na escola é sobrevalorizado (o meu custa-me cerca de 2000 e tal euros por ano :S). penso apenas que continuar a ignorar o que se passa “lá fora”, na esperança que desapareça, é como ficar sentado à espera que a tempestade de areia passe: há sempre um ou outro camelo que se perde :)

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(e aqui poderia estar um excelente tema pr’ó edubits 09 :P )

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disclaimer: não me recordo de quase nada da história do 9º ano. detestei aquilo. fixei porque fui obrigada. tirei boa nota, mas foi por hábito. não por interesse =)

Publicado por: maresta | Junho 16, 2009

o complexo de calimero

há pessoas que sentem, e acreditam, que têm o mundo contra elas. acreditam, e sentem, que nada do que fazem é compreendido e que, por muito que se esforcem, nunca serão entendidas, aceites e admiradas.

costumo dizer que essas pessoas sofrem do complexo de calimero =). muitas vezes confundido com o “patinho feio”, o calimero é daquelas figuras incontornáveis para todos os que tiveram a felicidade de nascer na década de 70.

ele era pequeno. ele era pequenino. ele tinha a mania que todo o mundo conspirava contra ele. no final de cada episódio, a célebre frase “é uma injustiça, eles são grandes e eu sou pequeno” (creio que em estrangeiro e com legendas, que na altura as crianças tinham masé que aprender a ler).

às vezes encontro, fora da caixa mágica, pessoas que são assim. pequenas. pequeninas. com a mania que todo o mundo conspira contra elas. e que tudo é uma injustiça.

aos calimeros deste mundo, que trazem aos dias de hoje o encanto dos anos 70, a minha singela e humilde homenagem =)

 

Publicado por: maresta | Junho 9, 2009

… o caminho valeu, vale e valerá sempre a pena :)

Publicado por: maresta | Junho 8, 2009

ran.dom thou.ghts II

tenho as janelas do gtalk e msn abertas no desktop para não me sentir completamente sozinha.

não é trágico nem deprimente… mas é preocupante :P

Publicado por: maresta | Junho 7, 2009

obrigações

que a vida em sociedade se rege por um conjunto de regras e protocolos pré-definidos, muitas vezes quase sedimentados por anos e anos de prática, não é novidade. os almoços em família, a consoada alternada em casa de pais/sogros (nunca na nossa), a ida às urnas no dia das eleições, o torcermos pela selecção (de quem?) quando esta joga, o ficarmos zangados quando o nosso clube perde (mesmo que não liguemos nada ao futebol), são quase rituais que fazem parte da nossa vida, que definem a nossa comunidade, e aos quais já nos habituámos, resignámos ou submetemos.

agora… ser convidada para (mais) um casamento de pessoas que praticamente não conheço, com as quais não convivo e às quais desejo a mesma felicidade que desejo a toda a gente em geral, e ainda para mais ter que ir, é algo que não me entra na cabeça.

é nestas alturas que sinto que a família é um pouco como a Máfia: quando se entra, nunca mais se sai…

Publicado por: maresta | Maio 25, 2009

rituais

costumo pensar (estas coisas não se dizem) que as pessoas se definem um pouco pelos rituais que praticam.

no semestre passado, quando falava aos meus alunos sobre a importância dos rituais nas culturas, descobri com eles que há um conjunto de acções – mais ou menos mecânicas – que compõem o nosso dia-a-dia. 

o meu dia começa às oito. o ritual de passagem do sono ao estado de alerta inclui um acordar lento, um pequeno-almoço sossegado (na companhia do “Bom dia Portugal”) e só termina quando atravesso a porta de casa.

no final do dia, agradeço a distância que me faz percorrer não sei quantos quilómetros em cerca de vinte minutos. na quinta-feira passada percebi que esses minutos, comigo e com o meu carro, são indispensáveis para o meu equilíbrio e sanidade mental (poderia ainda desenvolver a minha teoria da “curva dos 80”, mas isso fica para mais tarde). vinte minutos a ouvir música, a cantar ou a chorar, a descobrir novos sons (que depois procuro no blip), a lavar a alma do dia que passou e a preparar o espírito para a noite de trabalho que se aproxima.

depois, por volta da uma, volto à cama. antes aproveitava para ler. agora, enquanto aguardo a chegada do livro que espero há semanas, aproveito para pensar – ou escrever – sobre quase tudo e coisa nenhuma.

não sei se são rituais. mas sei que servem para trazer tranquilidade e paz ao meu dia. e isso para mim basta :)

Publicado por: maresta | Maio 19, 2009

it’s nice to be here

gosto de bibliotecas. sempre gostei. lembro-me de ler “O Hobbit” (creio que o primeiro livro grande que requisitei), sentada no chão alcatifado daquela sala sem janelas, a cheirar – a sala – um pouco a mofo e a livros velhos. só se podiam levar três livros de cada vez, fazia-se o caminho a pé de casa até à biblioteca (20 minutos em pernas pequenas), e contavam-se os dias até poder fazer nova troca.

lembro-me do som do carimbo a marcar a caderneta (?) e lembro-me de pensar que, um dia, gostaria de trabalhar num local daqueles. um lugar que cheirasse a livros. um lugar onde os volumes conversassem à noite e onde, em cada livro, repousasse um pouco da emoção de quem o leu.

continuo a gostar de bibliotecas. continuam a cheirar a livros antigos, silenciosas, repousantes. continuam a ter os “produtos” ordenados num sistema particular que quebra as harmonias das cores e das alturas dos volumes. continuam a respeitar o espaço de quem as frequenta e que quer, apenas, estar.

se me pudesse sentar de novo no chão… sim, seria perfeito :)

Publicado por: maresta | Maio 17, 2009

Challenges 2009

se eu tivesse que fazer um balanço destes últimos dois dias (mais precisamente 14 e 15 de Maio), diria que foi francamente positivo. paguei 60 euros (mais as despesas de representação :P) para pensar e reflectir – bastante – sobre a forma como hoje em dia se aplica, se integra e se fala sobre tecnologia e educação.

para quem anda atenta ao twitter e aos blogs de alguns dos speakers, o Challenges não trouxe nada de muito novo.  a novidade, que poderia – e deveria – residir nas questões colocadas aos oradores, foi anulada pelos constrangimentos associados ao cumprimento de um programa (demasiado) extenso. foi pena – como comentou a Helena e muito bem – que numa conferência sobre interacção, discussão e partilha, grande parte se resumisse a exposição de trabalhos e a apresentação de projectos. sem discussão. sem interacção.

mas nem tudo foi cinzento :).

a parte informal da conferência – as conversas no bar, as conversas ao almoço e ao jantar – foram o melhor do programa: as ideias do Carlos sobre avaliação online (muito interessantes); a conversa com o Diogo e a Helena sobre a aplicação de modelos tradicionais de conferência numa altura (que se pretende) caracterizada pela discussão e partilha; as ideias, ainda nubladas, sobre a organização da Wv2+ em Aveiro :P; a discussão sobre o mobile learning e o “giro” de usar os telemóveis em sala de aula; …

e o convívio. foi bom, durante dois dias, voltar a ser estudante. usar o msn e o twitter para trocar mensagens com pessoas do outro lado (e da frente) da sala, sair antes do final, baldar-me a uma sessão para ir lanchar (e conversar) para o bar. foi um descarregar de tensão e um carregar de baterias, que já se impunha há muito tempo.

ficam os slides e o artigo. e os parabéns para nós. a UA e o D/MMEdu estiveram bem representados ;-)

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