Publicado por: maresta | Fevereiro 4, 2010

porque é que “o óptimo é inimigo do bom”

uma coisa que sempre me intrigou foi o não entender porque é que os agentes do CSI, quando entram numa Crime Scene, nunca acendem a luz. pelas impressões digitais não será, dado que as moças – nos seus cómodos saltos altos – andam de cabelos soltos espalhando ADN pela sala.

teriam os agentes mais famosos da TV alguma coisa contra os candeeiros de tecto? Seria algum fetiche por lanternas? haveria alguma mensagem subliminar escondida na forma como empunhavam os pequenos e brilhantes cilindros?

ontem descobri que não. numa manhã (decididamente) diferente, percebi que a explicação está na focalização do feixe de luz. ao permitir a visualização de pequenos segmentos de cada vez, aumenta-se a probabilidade de se perceber/entender aquilo que, perdido no contexto, poderia passar despercebido. é que a luz “geral” ilumina tudo e, dessa forma, anula as particularidades de cada objecto.

as cores e as formas lutam entre si, confundindo-nos. iludindo-nos. enganando-nos.

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uma das coisas que mais me custa é saber quando parar. definir o foco de alguma coisa, delimitar um raio de acção. a claustrofobia investigativa (estar forçosamente confinada a uma questão/tema) causa-me quase tanta agonia quanto ficar entalada numa camisola demasiado apertada, que teima em não passar do pescoço. arrepia, sufoca, aperta. wew…

por isso, quando ontem ouvi que “o óptimo é inimigo do bom”, fiz cinco segundos de auto-análise e concluí que quando queremos abarcar tudo, cobrir todos os aspectos do problema, acabamos por ou perder o rumo ou por fazer uma análise superficial de tudo – o que, em doutoramento, não é nada bom :P

lanternas precisam-se. e rápido :P

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(tenho que começar a migrar estas coisas para a gaveta. isto de estar a promover a integração e de estar a ler sobre identidade e, obstinadamente, continuar a fragmentar a coisa, não está com nada…)

Publicado por: maresta | Fevereiro 3, 2010

slow down

porque há dias em que sentimos o peso do mundo nos nossos ombros. porque há dias em que não conseguimos entender porque ainda insistimos. porque há dias em que sentimos que a distância entre o choro e o riso não se mede em segundos mas num encher de pulmões.

porque há dias em que nos dizem para abrandar, para sentir, para avançar. porque hoje foi um dia comprido, grande, interminável. e porque ainda só é quarta feira…

por tudo isto e mais tanta coisa, sinto-me cansada.

Publicado por: maresta | Janeiro 27, 2010

é assim tão estranho não querer saber…

… o sexo do meu bebé? (não coloquei tudo no título na esperança de iludir os spammers ávidos de…)

estava na altura de falar desta nova aventura, não estava? pois bem, a cegonha finalmente deu com a minha casa e, lá para Abril, deixaremos de ser dois para ser três :).

graças a isso, tenho passado os últimos tempos a ouvir histórias de partos tenebrosos, de problemas que só se detectam no fim, de doenças que atacam os bebés nos primeiros dias de vida. muito bom, muito agradável de se ouvir. não fosse ter desenvolvido a capacidade do “lá-lá lá” (as pessoas falam e eu, mentalmente, lálólo) e, provavelmente, as minhas hormonas já teriam sido a justificação médica para muita resposta torta que ficou guardada.

mas adiante.

nas últimas semanas a questão refinou-se e, a cada “parabéns, não tinha percebido que estava grávida” (!!!!!!!!!!!) levo com o apêndice ” e então, é menino ou menina?”. a resposta, invariavelmente, é “não queremos saber”.

ora Portugal em geral e as pessoas que me rodeiam em particular sofrem do síndrome do “24 horas” e, por isso mesmo, não entendem como é que alguém se quer, voluntariamente, privar de uma informação que – dizem eles – é crucial. assim, perante a minha resposta, arregalam os olhos e colocam a questão: “mas… PORQUÊ?”

porque não. porque sou contra o template rosa ou azul que impõem às crianças ainda antes de estas terem definido a sua sexualidade.  porque nunca tive o hábito de abrir os presentes antes do natal. porque não gosto de estraga-surpresas.  porque gosto de contrariar os outros. e, principalmente, porque não quero saber :P. repetindo, porque não.

é assim tão estranho?

Publicado por: maresta | Janeiro 22, 2010

eu gosto da minha vida…

… não gosto é daquilo que fizeram com ela.

Publicado por: maresta | Janeiro 5, 2010

sobre planos e essas coisas

como boa Gémeos que sou, passo mais tempo a fazer planos que a executá-los. já quando era mais nova e tinha de fazer limpezas na casa dos meus pais investia cerca de meia hora a fazer uma lista das divisões que teria de limpar (como se essas mudassem de semana a semana) e, numa outra coluna, o tempo que – segundo os meus cálculos – demoraria a completar a tarefa. era divertido, e terminava (sempre) de forma abrupta com um berro da minha mãe: “Mónica Sofia sai do quarto e começa a fazer alguma coisa!” – mãe é sempre mãe, e ter dois nomes próprios é sempre uma desvantagem para qualquer filho.

mas adiante…

este gosto pela planificação (já lhe chamaram muita coisa mas eu prefiro continuar a chamar “gosto”) levou-me a ser muito boa a organizar tarefas, a desenhar backup-plans e a fazer cronogramas detalhados – o facto de nunca os cumprir não é problemático: não se pode ser bom em tudo, e o meu talento fica-se pelo plano e não pela execução.

assim sendo, passei o dia de ontem a definir as tarefas e os objectivos (alcançáveis) para este ano de 2010. como não acredito nos desejos nem nas típicas resoluções de ano novo (deixar de fumar, deixar de beber, deixar de… gastar muita água) fico-me pelas coisas concretas, realizáveis, mensuráveis. já tenho uma lista que, agora terei de passar para uma agenda. e depois para o iCal. e depois sincronizar com o telefone. é um gosto, este da organização. sim.  não são muitos, e duram só até abril, mas já dão para encher o olho ;)

por isso defendo que fazer planos faz-nos (ou pelo menos a mim) bem. são como os paredões nas praias, que as limitam e tornam o mar menos assustador. a água é a mesma, mas está dividida em pedacinhos mais pequenos. e, se ficarmos sem força, sempre nos podemos agarrar às pedras :)

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(e para que não se diga que sou obcecada com estas coisas da planificação… na última grande viagem que fizemos quando ainda éramos ricos, eu e o meu comparsa fomos passear até Itália, de carro e sem nada bem definido, o que nos levou a coisas como ir até ao norte de Espanha para depois atravessarmos o centro de França e entrarmos em Itália por Turin. o objectivo era passear em Itália, e foi nisso que concentrei os meus esforços: como chegar lá era, para mim, totally secundário.

ainda sem GPS (tecnologia do demo, juntamente com os fornos micro-ondas  e as cassetes “de fita”), orientávamo-nos pelos mapas e a coisa fez-se. descobrimos pequenas vilas que nunca encontraríamos se fossemos direitos às cidades principais, passámos por “percursos pitorescos” que nos deram cabo das costas mas nos encheram a alma de verde e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que foram as melhores férias da minha vida. só serão suplantadas quando eu for de novo rica e puder visitar a Grécia ou as ruínas de Machu Pichu)

Publicado por: maresta | Dezembro 2, 2009

o síndrome da “caixa de robalos”

esta semana (e a anterior) tem sido próspera em notícias no mínimo divertidas. é o casal (até agora) desconhecido que entra na Casa Branca e cumprimenta o Nobel da Paz, é o Benfica que hoje não joga de collants (!!!) e é, agora, a bela história da “caixa de robalos”.

enquanto que os outros assuntos não terão nada de especial, este da caixa de robalos tem muito que se lhe diga. é a prova, gravada, de que nestes tempos que correm nada do que fazemos na rede escapa (LOL piada involuntária mas com lógica :D). não há conversa, chat, chamada, etc, que não fique registado. se antes podíamos falar de “migalhas” que deixávamos na rede, agora deixamos pão-de-ló. ou de jamon. grandes? sempre.

isto levanta um grande problema: nesta coisa da espionagem e do “tudo se sabe”, onde estão as nossas canas?

»» há muitos anos, quando ainda não haviam pokemons nem digimons nem bolas de cristal, ouvi a história do príncipe com orelhas de burro. falava de um príncipe com orelhas de burro (duh) que matava todos os seus barbeiros para que estes não divulgassem o seu “problema”. se bem me recordo, há lá um que o convence a não o matar (as histórias infantis estavam limitadas a 3 mortes por conto) e que, tendo escapado com vida, não aguenta guardar o segredo. e vai daí (ou de lá) dirige-se a um canavial onde, de joelhos, conta às canas o seu segredo. porque era seguro, porque as canas não falariam.

mas depois há um pastor que corta uma das canas, faz uma flauta e, quando a sopra a dita (flauta), esta canta que “o príncipe tem orelhas de burro”. depois há a cena Juliodinisiana, em que “quase-morro-mas-depois-escapo” e a coisa acaba em bem, sem orelhas nem burros à mistura.

moral da história? para todos, que devemos ter coragem de assumir o que somos. para moi? que nem nas canas podemos confiar.

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em alguma parte da vida temos necessidade de um canavial, um recanto, um papel em que possamos desabafar. uns escrevem diários, outros docs em word que escondem nas profundidades de um disco duro, outros posts privados. mas a coisa da “cana” não está lá… a ideia de lançar uma ideia ao vento e seguir descansado porque o vento não a repete, que era romântica e segura, deixou de o ser.

os comentários no twitter, as mensagens via blip, os maisl, os talks, até as chamadas que fazemos, tudo pode ficar (e fica) registado. temos que gerir internamente as frustrações, revoltas, êxtases ou delírios. cortaram-nos as canas…

temos – mesmo – de ter cuidado com o que dizemos e manifestamos na rede. para que, qual robalo vestido de esmoriz, não sejamos apanhados nas malhas da rede dos peixes grandes :)

Publicado por: maresta | Outubro 20, 2009

já não sei que música ouvir

tenho o péssimo hábito de, para cada fase da vida/trabalho, seleccionar uma playlist que ouço até à exaustão.

no mestrado foram os The Gift e o “Fácil de entender” (Song for a blue heart, principalmente), Rodrigo Leão e “O Mundo”, Bach e outros.

na fase final dos trabalhos, coincidente com a fase final do projecto de doutoramento, foi Anne Brun. e David Ford, dia após dia. a parte curricular do doutoramento foi corrida a Sigur Rós, a Anthony and the Johnsons, a Metric, Camera Obscura, a Kings of Convenience, a Fleet Foxes e a Ketch Harbour Wolves. pelo meio, um pequeno delírio com 30 seconds to Mars, que ninguém consegue ser tão indie assim :P

agora, não sei o que ouvir. os grupos que referi antes lançaram novos discos, têm álbuns mais antigos, mas a sonoridade já não me surpreende. agrada, mas já não é conquista. é conforto.

sabe bem. mas não arrepia.

Publicado por: maresta | Setembro 27, 2009

ui!

(não, não me trilhei…)

durante esta semana, enquanto preenchia processos de alunos (oh!, what a joy!), tive muito tempo e matéria para reflectir sobre a coisa da presença online. sem bibliografia nem  leituras – daí dizer reflectir, e não aprender.

primeiro: tudo aquilo que eu associo ao meu nome cola-se à minha imagem. usar contas de e-mail com termos peculiares como “sexygirl127@qqcoisa“, “viagra_man@aspasaspas” ou “pequeninaefofa32” não é… bem. e ouvir, como resposta ao meu olhar mudo, a frase “ainda era miúdo”, não me convence. se deixaram as saias às pregas (algumas :P) e o ar rebelde sem causa, porque mantêm, como parte a sua identidade, um nome com o qual não se identificam? e quando se candidatarem a emprego, o que colocam no campo do e-mail? “xanocasLol”?

segundo: os cv’s. colocar no CV formato europeu (e aqui vemos porque é que a Europa é chamada de velho continente… aquele formato pode ser optimizado, mas cheira a revolução industrial) uma foto em que aparecemos super concentrados (versão1) ou saídos de uma festa (versão 2) também não soa muito bem. ou somos marrões ou somos anduleiros (expressão branquense para designar “pessoa que só anda em festas e noitadas”). mmmmm….

terceiro: o perfil do Facebook. há pessoas que ainda não perceberam que tudo (ou quase tudo) o que está na rede é pesquisável. que publicar as fotos da última festa, agarrada a um barril de cerveja e com um sombrinha de gelado na cabeça não fica bem. imaginem que a minha futura sogra decide pesquisar a minha vida na rede antes de entregar o anel de família ao meu husband-to-be: encontrar coisas como “xeguei da festa à pc. foi tótil, s palavras. migux, adoro-vuuuuuuux” daria um novo sentido ao ditado “bem estava Adão, que não tinha sogra nem camião”.

quarto (parte 1): gostei de ler este texto, de Robert Dwyer, que me chegou ao twitter via @pgsimoes. não o li com a profundidade merecida (tinha o “viagra_man” à minha frente) mas o pouco que li deixou-me mais aliviada: começa a discutir-se a ética ou as regras do twitter. neste ponto, o que mais (me) interessa não é tanto o que significa RT (já passei essa fase, graças à resposta a uma DM que enviei :P) mas poder ambicionar que, num futuro muito próximo, se discuta e reflicta sobre a comunicação em 140 caracteres.

quarto (parte 2): na semana passada recebi um tweet que questionava se fazer RT a uma mensagem significava concordância. respondi que, se não acrescentava nada antes do RT, sim. antes, não depois. por vezes aparecem RT’s de tweets publicados que, no lugar de incluírem a opinião antes da mensagem original (seja ela positiva ou negativa) colocam-na após o tweet de origem. uma espécie de passagem de “detestei o filme xpto” para “RT@maresta: detestei o filme xpto… senti o mesmo durante o último jogo do benfica LOL“. se o original é algo que só a mim diz respeito, o “pendura” trazer-me-ia, sem dúvida, problemas familiares até à terceira geração. tá mal.

quinto: já tenho blog no SAPO Campus :). com “maresta” no endereço, claro. de uma forma ou de outra, esta contracção do meu nome próprio e de família resultou numa coisa que, embora ao princípio rejeitasse, é já parte da minha identidade. ao ponto de não me registar em serviços que não aceitem este nome.

e para já é tudo. tarde de eleições e tal, a programação da TV é a de sempre (disney, disney, especiais notícias porque o candidato X votou, disney, disney)…

back to sapo campus, pr’a tentar personalizar um blog que, de mim, para já so tem o nome ;)

Publicado por: maresta | Agosto 21, 2009

porque sim

por vezes, nos minutos que antecedem o sono, percorro lugares que não visito há muito. sei de cor alguns lugares, as divisões de algumas casas. da casa do meu padrinho – onde passei muito tempo há muito tempo – conheço a entrada, com o banco vermelho ao lado da janela, e a porta grande e branca. o corredor, com o escritório numa ponta e a sala de jantar na outra.

avanço, abro a porta da casa de banho debaixo das escadas (com um espelho pequeno, redondo e alto, ao qual só acedia quando me esticava até doer), depois regresso. sei a cozinha e as escadas que dão acesso ao primeiro andar. e as que dão acesso ao sótão. sei os quartos (seis), os corredores, sei onde o papel de parede lasca e onde estão pendurados os quadros trazidos das viagens mundo fora. sei todos os espaços. tivesse eu os cheiros, e a memória seria completa.

são poucos os lugares que recordo assim, tão bem e tão claramente. uns porque foram mudando, outros porque ainda existem e não há necessidade de os guardar. com esta casa é diferente, sempre foi diferente. talvez porque quem lá habitava era diferente e enchia cada minuto, na sua presença, com relatos de outros lugares e experiências. um homem que atravessava a ria (bestida-torreira) a nado, que já falava e fazia ioga antes do ioga ser moda, que respeitava todos porque era com respeito que todos deveriam ser tratados.

é das pessoa que mais saudades me deixa. gostava que, um dia, alguém pensasse assim a meu respeito.

Publicado por: maresta | Julho 15, 2009

sobre sorrisos

há uns tempos atrás escrevi um post – que depois editei, simplesmente porque gosto de editar aquilo que escrevo – onde falava da importância do sorriso no dia a dia. lembro-me que o comparava a exercício, a algo que fazia bem, essas coisas pseudo-inspiradas e pseudo-inspiradoras.

continuo a defender isso – normalmente defendo o que escrevo :P – mas hoje acrescentaria algo mais. o sorriso é algo que nasce de dentro. é um canto sem voz, que começa não se sabe bem onde e que só termina nos olhos. no meu caso, quase sempre em lágrimas.

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hoje não me reconheceram na fotografia que tenho no messenger. um colega meteu conversa, perguntando: “quem é a moça da foto?”, e quando respondi “eu”, disse que não me reconhecia. porque não estava a sorrir.

senti, como já não sentia há algum tempo, que o sorriso não é só meu: é também parte daqueles que convivem comigo, que a mim se habituaram e que comigo contam. e isso, por si só, é já um motivo para sorrir :)

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